Ramon Kayo

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Entusiasta dos pequenos negócios, mantém um pequeno negócio de desenvolvimento de sites e um espaço de coworking. Compartilha ideias de como ser mais criativo e produtivo.

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Review e lições: Steal Like an Artist

Um resumo da minha opinião e das lições que extraí do livro "Steal Like an Artist"/"Roube Como um Artista", escrito por Austin Kleon

Ramon KayoRamon Kayo

Steal Like an Artist é um livro com dez conselhos sobre criatividade. Pelo título, você pode achar que é algo exclusivo para artistas, mas não é. Os conselhos são legais para todo mundo. E se você é designer, ilustrador, fotógrafo, escritor, ou qualquer tipo de profissional que usa criatividade como matéria prima, esse livro vai cair como uma luva pra você.

O livro físico parece bem bonito para se ter na estante, mas acabei comprando a versão do Kindle. Apesar de ser um livro com bastante ilustrações, a versão digital funcionou bem para mim e não senti nenhum prejuízo em relação a isso.

É um livro extremamente fácil de se ler, porque é escrito com se fosse falado. Você quase ouve a voz do autor, mesmo sem nunca tê-lo ouvido. O autor também não é daquele tipo prolixo e repetitivo que pega uma ideia e insiste por 300 páginas. Na verdade, fiquei com a sensação de que o livro só tem dez parágrafos, bem objetivos e diretos ao ponto. Eu gosto muito desse estilo de escrita e tendo a comprar mais livros do Austin Kleon.

Eu paguei U$6,14 na versão do Kindle e achei o preço bem justo.

Lições Aprendidas

Como disse, o livro é uma coletânea de dez conselhos sobre criatividade. Achei todos interessantes, apesar de já compartilhar algumas opiniões com autor. Não concordei com todos os conselhos, mas acho que é só uma questão de personalidade. Comentarei um a um, e aí você tira sua própria conclusão. Observação: a minha versão é em inglês, mas vou traduzir os conselhos aqui, então pode ser que os conselhos estejam com uma tradução diferente em relação ao livro em português.

Review e lições: Steal Like an Artist

1. Roube como um artista

Este primeiro conselho é o que dá nome ao livro e também o que mais gosto: roube como um artista. Toda nova ideia é um remix de ideias que já existem. É como um cruzamento genético que dá origem ao melhor de cada coisa. Cada um de nós é a soma do que deixamos entrar em nossas vidas. Sabe aquela história de “você é o que come”? Você não é o que come, você é aquilo que ama. Você tem que estar a todo momento roubando boas ideias e se desfazendo das ruins. Ficou admirado com algo que alguém fez? Roube para você, não há nada de errado. Melhor ainda: roube dos seus ídolos. E depois dos ídolos deles.

A gente já rouba ideias naturalmente, mas tornar esse processo consciente nos dá o poder de escolher sempre o melhor.

Review e lições: Steal Like an Artist

2. Não espere até saber quem você é para começar

O segundo conselho é tão ou mais poderoso que o primeiro: não espere descobrir quem você é para começar. Você não tem que saber quem é para criar algo, ao contrário, é criando algo que você vai descobrir quem realmente é. Você já está pronto para começar.

Nesta parte do livro descobri que existe algo que se chama “síndrome do impostor”, que é a dificuldade de internalizar algo que você já. Às vezes é difícil admitir que você fez algo legal, porque você simplesmente sente que foi mais fácil fazer do que as pessoas imaginam. É aquele sentimento de que você não sabe o que está fazendo, de que não é capacitado para fazer o que está fazendo. A boa notícia é que nenhum de nós sabe o que está fazendo. Relaxe.

Comece fingindo que você é algo que você ainda não é. Roube boas ideias das pessoas que você quer se tornar. Cedo ou tarde você vai ser o que queria ser, mas totalmente diferente de seus ídolos.

3. Escreva o livro que você gostaria de ler

Escreva o livro que você queria ler. Pinte o quadro que você queria ver. Faça o filme que você queria assistir. Crie o jogo que você queria jogar. Faça o trabalho que você queira ver feito. Junte tudo o que você mais gosta no que ainda não existe, de maneira que seja perfeito para você.

4. Use as mãos

Essa ideia eu descobri há alguns anos. Somos tão acostumados a fazer tudo no computador que esquecemos a importância das imperfeições. No computador, tudo é maravilhoso, porque o que está ruim é excluído, recortado, editado, formatado, até ficar bom. O que é ruim some da nossa frente em um piscar de olhos. Às vezes é bom dar uma desligada, voltar algumas décadas no tempo. Pensar offline abre a mente, te leva para fora da caixa, acalma a mente e aproveita o máximo das imperfeições. Meu escritório é repleto de dispositivos analógicos, como flip charts, lousas, notas auto-adesivas, canetinhas e papel. Quando mexo nessas coisas, me sinto no primário, e isto me liberta para pensar.

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5. Projetos paralelos e hobbies são importantes

O livro fala para praticarmos procrastinação produtiva e não jogar nenhum pedaço de você fora, isto é, não deixar de fazer o que você gosta. Eu penso que você deveria transformar seus hobbies em trabalho. A gente faz bem aquilo que gosta. Neste ponto, prefiro concordar com a Jessica Hische:

O trabalho que você faz enquanto procrastina é provavelmente o trabalho que você deveria fazer pelo resto da sua vida.

6. O segredo: faça um bom trabalho e compartilhe com as pessoas

Como ser reconhecido? Bem, segundo o autor, faça um bom trabalho e compartilhe com as pessoas. Mas este conselho não foi o que mais gostei desta parte do livro. Na verdade, foi outra coisa que li durante o capítulo: no começo, ser desconhecido é bom. É legal que não exista pressão enquanto você se descobre, porque assim você tem tempo para conquistar sua confiança e identidade. Se você não é famoso, compartilhe suas ideias, interaja com as pessoas. Você vai aprender muito sobre seu trabalho enquanto adquire os primeiros admiradores. E fique tranquilo: você não vai ser criticado na revista de fofocas.

7. Geografia não é mais nossa mestre

Você não precisa morar em Nova York.

8. Seja legal (o mundo é uma cidade pequena)

Você tem que se cercar de pessoas incríveis e o melhor jeito de fazer isto é acompanhar o trabalho delas. Faça amigos, elogiando as pessoas pelas coisas que você gosta. Ignore os haters e eles sumirão. Se você não gosta de algo, faça melhor, porque este é o melhor jeito de reclamar. Reparei que compartilho isto com o autor. Quando fico com raiva de algo, uso isto para criar algo. Este é o tipo de conselho que eu daria: não gostou de um texto? Não fique propagando ódio nas redes sociais, escreva o seu próprio texto. Não gostou de um serviço? Veja como uma oportunidade e crie um muito melhor.

9. Seja entediante (é o único jeito de fazer o trabalho)

Este capítulo é cheio de conselhos do tipo “durma bem”, “coma bem”, “arrume um calendário”. Um dos conselhos me incomoda: mantenha seu emprego tradicional. Ele lista uma série de vantagens, mas eu digo que você só deve manter seu emprego se estiver realmente feliz com ele ou necessitando do dinheiro. Se você não gosta do seu emprego, use o seu tempo livre para criar e pensar em maneiras de mudar de vida. A vida é um filme de uma única sessão.

10. Criatividade é subtração

Se você tem todo o todo o tempo do mundo, todo o dinheiro e todas as ferramentas, provavelmente você não vai conseguir criar nada. As limitações são importantes para te por em movimento.

Quer escrever um bom texto? Limite o número de parágrafos. Quer fazer uma ilustração diferenciada? Limite a quantidade de cores. Quer criar um objeto incrível? Limite o orçamento. Escolha boas restrições, porque superar as limitações tornará o seu trabalho memorável.

Conclusão

A verdade é que não existe conselho em tamanho único. Nem tudo o que está escrito no livro se aplica na minha vida e, provavelmente, o mesmo vale para você. Eu recomendo o livro, mas acho que você deveria lê-lo como quem está roubando como um artista: pegue para você somente o que é importante.

 

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