Ramon Kayo

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Entusiasta dos pequenos negócios, mantém um pequeno negócio de desenvolvimento de sites e um espaço de coworking. Compartilha ideias de como ser mais criativo e produtivo.

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Minha ideia é boa? – Parte 2

Entenda como descobrir se sua ideia é boa ou não, avaliando a oportunidade existente no mercado

Ramon KayoRamon Kayo

Antes de continuar, leia a primeira parte dessa postagem.

Para saber se sua ideia é boa, é necessário considerar a oportunidade que ela aproveita. Criar um meio de transporte aéreo, por exemplo, é uma boa ideia: resolve um problema que atinge a população humana (todos precisam se locomover), com frequência constante (quase todos os dias) e que é uma necessidade não latente. Todavia, será que você conseguiria fazer algo mais eficiente, mais eficaz e mais acessível do que um avião ou um helicóptero?

Precisamos considerar que muitos dos grandes problemas da humanidade já possuem soluções, sejam elas boas, paliativas, ou ainda, gambiarras. É por isso que as pesquisas de mercado são tão importantes durante o planejamento de um negócio, afinal sem elas correríamos o risco de construir parafernalhas voadoras sem saber que já existem aviões, jatos e helicópteros.

Vamos a um exemplo. João quer criar uma plataforma que sumarize os restaurantes da região e ajude os usuários a encontrarem o estabelecimento ideal para uma refeição. A ideia dele é fazer um aplicativo de smartphone onde o usuário, após uma refeição em um restaurante, avalie alguns atributos deste e diga em 140 caracteres o que achou do lugar. Assim, quando outros usuários estiverem a procura de um restaurante, basta que utilizem o aplicativo para fazer uma busca nas opiniões de outros usuários.

É uma ideia que parece ser muito boa a primeira vista, mas João decidiu avaliar o volume do problema antes de tomar qualquer decisão. Ele parte da premissa de que o problema que quer resolver é: “É difícil tomar uma decisão sobre onde comer, de acordo com um critério de preço, qualidade e ambiente”.

Gravidade: João considera o problema uma necessidade, pois muitas vezes as pessoas acabam gastando mais dinheiro do que deviam, por um serviço pior do que desejavam, só pelo fato de não conhecerem as opções disponíveis.

Frequência: João imaginou que as pessoas, em média, comem fora de casa duas vezes por mês, mas só em uma vez a cada dois meses vão a um lugar novo. Isso faz do problema sazonal, pois sua ocorrência é provável, mas sua periodicidade é incerta.

População: João julgou que nicho não faz sentido para o seu problema e que supor que ele atinge a população humana seria um exagero. Por eliminação, João assinalou que esta é uma população de característica.

Portanto o volume do problema com o qual João está lidando é 8 (2x2x2).

Minha ideia é boa?

João não pode ignorar as soluções existentes. Por isso ele deve calcular o volume da solução de seu maior concorrente.

O cálculo de volume de solução segue o mesmo processo do cálculo de volume de problema. A diferença é que a solução é avaliada sob outros aspectos: qualidade, custo e disponibilidade.

Minha ideia é boa?

Avaliando a qualidade da solução

Avaliando o custo da solução

Vale ressaltar que custo não significa necessariamente dinheiro. O custo também pode ser em tempo ou em esforço.

Avaliando a disponibilidade da solução

O eixo de disponibilidade deve responder duas perguntas: é possível em qualquer lugar? É possível a qualquer momento?

A maneira de calcular o volume da solução é a mesma utilizada para calcular o volume do problema: basta multiplicar os valores dos eixos.

Em nosso exemplo, quanto maior o volume da solução existente, pior para João. João escolheu o Kekanto como concorrente e julgou que é uma solução:

  1. Suficiente, pois não é tão rápido encontrar um estabelecimento.
  2. De custo regular, pois não é muito fácil de se utilizar.
  3. Constante, contando que o cliente em potencial tem smartphone e o Kekanto oferece um aplicativos para dispotivos móveis.

Ao comparar o volume do problema (8) com o volume da solução oferecida pelo Kekanto (12), João descobriu que seu concorrente resolve o problema com folgas.

Minha ideia é boa?

Avaliando a oportunidade

A oportunidade de negócio é dada pelas lacunas que as soluções existentes não preenchem. Portanto, nesse exercício, a oportunidade de negócio é medida pela diferença entre a solução perfeita e a melhor solução existente.

Minha ideia é boa?

No caso de João, olhando o gráfico, pode parecer que a oportunidade é grande, mas nessa escala as únicas pontuações acima de 12 são 18 e 27, ou seja, não há tanto espaço assim. A oportunidade que parecia muito boa, já não é tão atrativa. De toda forma, este exercício não dita se João deve ou não ir em frente com sua ideia, ele só possibilita uma visão mais cética. 

Quando você estiver avaliando sua ideia, tenha em mente que você nunca vai ter certeza sobre a sua oportunidade a menos que teste suas hipóteses na prática. O Cubo de Oportunidade é só uma maneira de lhe obrigar a ser frio em relação à sua ideia.

E lembre-se: empreendedorismo continua sendo mais uma arte do que uma ciência exata.

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